VÍRUS DE MARBURGO – FEBRE HEMORRÁGICA DE MARBURG

A febre hemorrágica de Marburg (FHM) trata-se de uma forma grave e rara de febre hemorrágica que acomete os seres humanos e primatas.

O vírus de Marburg ou vírus de Marburgo (MARV) é o agente causador da febre hemorrágica de Marburg, que teve epidemias conhecidas em 1967 (a primeira), e depois em 1975, 1980, 1987, 1998, 2004 – 2005 (cujo epicentro foi Angola) e 2007-2014 (cujo epicentro foi Uganda).

Tanto a doença quanto o vírus estão relacionados com o ebola e têm origem na mesma área geográfica (Uganda e Quênia ocidental). A sua fonte é uma zoonose de origem desconhecida.

A febre hemorrágica de Marburgo é uma doença grave e extremamente mortal causada por um vírus da mesma família do vírus responsável pela febre hemorrágica de Ebola. Observados ao microscópio eletrônico, os vírus mostram partículas com a forma de filamentos alongados, às vezes enrolados em formas estranhas, o que dá o nome à família Filoviridae. Estes vírus contam-se entre os agentes patogênicos conhecidos mais virulentos e infecciosos para o homem.

Embora causadas por vírus diferentes, as duas doenças são quase indistinguíveis clinicamente. Ambas as doenças são raras, mas podem causar surtos esporádicos com elevada mortalidade. Historicamente, os surtos só chamaram a atenção das autoridades sanitárias, uma vez que amplificados por um controle insuficiente em estruturas de cuidados de saúde.


O VÍRUS DE MARBURGO

O vírus de Marburg é considerado ser um micróbio patogênico reemergindo com uma ameaça significativa à saúde humana. Este vírus pode causar uma doença hemorrágica fulminante com uma síndrome severa de choque e uma mortalidade alta nos seres humanos e nos primatas.

O vírus de Marburg pertence à família Filoviridae, que contem três gêneros – EbolavirusMarburgvirus e Cuevavirus. O gênero Marburgvirus contém somente uma espécie: Marburgvirus de Marburg, denominado mais comumente vírus de Marburg. Seu genoma contem a molécula linear, não segmentada, único-encalhada do RNA que é de uma polaridade negativa.

A estrutura viral é típica dos filovírus, com longas partículas fibrosas que têm um diâmetro consistente mas que variam muito em comprimento, entre uma média de 800 nm até 14.000 nm, com o auge da atividade infeciosa por volta dos 790 nm. O seu vírion contém 7 proteínas estruturais conhecidas. Sendo praticamente idêntico ao vírus do Ebola em estrutura, o vírus de Marburg é antigenicamente distinto do vírus do Ebola – por outras palavras, ele produz anticorpos diferentes, nos organismos infectados.

É conhecido que o vírus é transportado por animais, porém o hospedeiro original deste patógeno não foi identificado até o momento. A forma como o animal transmite a doença para os seres humanos não é conhecida, mas sabe-se que os seres humanos transmitem o agente para outros de sua espécie através de fluídos e secreções corporais.

O período de incubação do vírus dura entre 5 a 10 dias após o contato com o agente.


TRASMISSÃO DO VÍRUS

A transmissão do vírus de pessoa a pessoa exige um contato direto com um paciente. A infecção resulta de contato com sangue ou outro fluido orgânico (fezes, vômitos, urina, saliva e secreções das vias respiratórias) com elevada concentração de vírus, especialmente quando tais fluidos contêm sangue.

A transmissão através de sêmen infectado pode ocorrer até sete semanas após a recuperação clínica do paciente.

Pensa-se que a infecção transmitida por contato ocasional é extremamente rara. A baixa taxa de transmissão ao homem nesses casos sugere que a transmissão por aerossol e através do sistema respiratório não é eficiente, se é que chega a ocorrer. Durante o período de incubação não ocorre transmissão.

Os pacientes parecem ser mais infecciosos durante a fase aguda da doença acompanhada de hemorragias.


A DOENÇA DE MARBURG

A febre hemorrágica de Marburg é caracterizada por um início abrupto que apresenta com febre, calafrios, mialgia e intensas dores de cabeça.

Passada uma semana, aparece uma inflamação maculopapular, seguida de vômitos, dores do peito e abdominais e diarreia. A doença pode então agravar-se ainda mais, com icterícia, delírios, falência do fígado e hemorragias extensas.

Muitos pacientes são acometidos de manifestações hemorrágicas graves entre o 5º e o 7º dia, e os casos mortais sofrem normalmente perdas de sangue, muitas vezes de múltiplas partes do corpo. A presença de sangue fresco em vômitos e nas fezes é muitas vezes acompanhada de perda de sangue pelo nariz, gengivas e vagina.

Lesões cutâneas maculopapulares surgem dentro de 5 dias após o início dos sintomas. No caso de agravamento da doença, pode haver pancreatite, hepatite, inflação dos testículos, icterícia, delírio e, por fim, choque e falência múltipla de órgãos.

Em casos fatais, a morte ocorre muitas vezes 8 a 9 dias depois do início dos sintomas da doença, normalmente precedida de graves perdas de sangue e estado de choque.

Os sobreviventes da febre hemorrágica de Marburg experimentam uma convalescença prolongado caracterizado pela mialgia, pela fraqueza de muscular, pela artralgia, icterícia, doença da ocular, pela perda da audição, e em alguns casos mesmo pela psicose, estas que podem ser reversíveis ou não.


DIAGNÓSTICO

Nos pacientes que apresentam com um historial do curso a determinados países Africanos, os seguintes critérios clínicos devem ser considerados em casos suspeitados: febre alta (mais °C de 38 por menos de três semanas), dor de músculo e pelo menos dois sintomas hemorrágicos (prurido, hemorragia nasal, vomitar sangue, tossir sangue, ou sangue nas fezes).

A infecção é confirmada pela análise de amostras de sangue, saliva ou urina.
Os anticorpos e até mesmo o vírus podem ser postos em evidência por diferentes análises em laboratórios especializados.

Alguns exames laboratoriais como ELISA, PCR e isolamento do vírus podem ser utilizados para confirmar o diagnóstico.


TRATAMENTO

Ainda não existe um tratamento específico para esta doença. O tratamento é somente de suporte, abrangendo manutenção da circulação e da pressão arterial, além de regulação dos níveis de fluídos e eletrólitos sanguíneos. Em alguns casos pode ser necessário realizar transfusão sanguínea e oxigenação por aparelho.

A doença pode ser curada pelo próprio organismo, mas isso não lhe confere imunidade a novas infecções.

 



REFERÊNCIAS

– Médicos Sem Fronteiras [Doença de Marburg]. Disponível em: http://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/febre-de-marburg

– InfoEscola [Febre Hemorrágica de Marburg]. Disponível em: https://www.infoescola.com/doencas/febre-hemorragica-de-marburg/

– Organização Mundial da Saúde – OMS / Resumo Informativo em Português [Febre Hemorrágica de Marbugo] . Disponível em: http://www.who.int/csr/disease/marburg/en/Marburg-abril.pdf

– News Medical  – Life Science [O que é o Vírus de Marburg]. Disponível em: https://www.news-medical.net/health/Marburg-Virus-(Portuguese).aspx

Fonte:

  • Marburg Virus Infection Detected in a Common African Bat. Por Jonathan S. Towner, Xavier Pourrut, César G. Albariño, Chimène Nze Nkogue, Brian H. Bird, Gilda Grard, Thomas G. Ksiazek, Jean-Paul Gonzalez, Stuart T. Nichol, Eric M. Leroy. PLOS ONE, 22 de agosto de 2007. DOI: 10.1371/journal.pone.0000764

 

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