TRICOMONÍASE E SEUS SINTOMAS

A tricomoníase é uma Doença Sexualmente Transmissível provocada por um protozoário, que é pouco conhecida, mas afeta milhões de pessoas ao redor do mundo.

A Tricomoníase é causada pelo parasita Trichomonas vaginalis. Nas mulheres, a tricomoníase é uma das principais causas de vaginite e corrimento vaginal, mas costuma ser uma infecção assintomática nos homens.

A transmissão é pela via sexual e, curiosamente, só se dá através do sexo entre mulher/homem ou entre mulher/mulher. A transmissão do Trichomonas entre homens é rara, não sabe bem por quê. A via sexual é virtualmente a única forma de transmissão, sendo incomum a contaminação através de roupas, toalhas ou outros fômites.

Trichomonas vaginalis é um parasita que só infecta o ser humano; costuma viver na vagina ou na uretra, mas pode também ser encontrado em outras partes do sistema geniturinário. O protozoário causa lesão do epitélio vaginal, levando à formação de úlceras microscópicas que aumentam o risco de contaminação por outras DSTs, nomeadamente o HIV, HPV, herpes, gonorreia e clamídia.


SINAIS E SINTOMAS

Mulher

Tricomonas vaginalis infecta principalmente o epitélio escamoso do sistema genital. Os sintomas na mulher aparecem entre 5 a 28 dias após a infecção e podem incluir:

  • Vulva irritada, dolorida com coceira;
  • Dor durante a relação sexual (dispareunia)
  • Vagina inflamada (vaginite);
  • Dor ao urinar (disúria);
  • Secreção vaginal espumosa de cor branco, amarelada ou marrom de odor desagradável “de peixe” (apenas em 40% dos casos).
  • Aumento na frequência das micções poliúria, que se assemelham aos de uma infecção do trato urinário baixo.

Ao exame, o cérvice uterino apresenta um aspecto de colpis macularis (descrito como aspecto de morango ou framboesa). Dor abdominal pode ser indicativa de infecção de um ureter ou rim. Citologicamente, displasia e metaplasia do tecido cervical podem ser induzidas pelo parasita.

Nas infecções crônicas, os sintomas são discretos e o corrimento vaginal, pouco intenso; estas formas são de grande importância na propagação de outras doenças sexualmente transmissíveis.

…………………………………………………………………………………………………………………………..

Homem

A maioria dos homens com tricomoníase não manifestam sintomas,habitualmente ou apenas sintomas leves, mas podem infectar as suas parceiras sexuais. Alguns homens apresentam:

  • Secreção uretral, espumosa e semelhante ao pus;
  • “Queimação” ao urinar (disúria);
  • Urinar mais vezes por dias (poliúria), principalmente de manhã;
  • Irritação da uretra (uretrite).

 


DIAGNÓSTICO

O quadro clínico das vaginites apenas sugerem a causa mais provável, não sendo possível estabelecer o diagnóstico sem exames complementares. Para se confirmar a presença do Trichomonas vaginalis o ginecologista realiza um exame ginecológico, que normalmente detecta uma vagina inflamada e com pequenas úlceras. Durante o exame colhe-se uma amostra de secreção vaginal para ser estudada no microscópio. Em até 70% dos casos é possível identificar o protozoário se movendo nas secreções.

Se o quadro clínico e o exame ginecológico forem muito sugestivos, mas o exame microscópico for negativo, é possível fazer uma cultura da secreção, que costuma dar o resultado entre 3 a 7 dias. O exame de PCR (DNA) também pode ser usado; é mais caro, porém apresenta resultados mais rapidamente e com mais segurança.

O exame de papanicolau pode também detectar o Trichomonas, mas sua sensibilidade é baixa, deixando passar cerca de 50% dos casos, além de ter uma alta taxa de falso positivo.

No caso dos homens, exames em pus, secreção e urina, podem ser uma forma de diagnóstico.


 TRATAMENTO

O Metronidazol e o Tinidazol são as duas opções de tratamento para a tricomoníase. A taxa de cura com esses antibióticos é superior a 90% e nenhuma outra droga apresenta tamanha eficácia. O esquema indicado consiste em 2 gramas de Metronidazol ou Tinidazol por via oral (4 comprimidos de 500mg) em dose única.

É estritamente proibido o consumo de álcool em quem está sendo tratado com uma das duas drogas. É preciso esperar no mínimo 3 dias devido ao risco grave reação .

É importante evitar relações sexuais durante uma semana e o(a) parceiro(a) também deve ser tratado(a), mesmo que esteja assintomático(a) para evitar a reinfecção. Cerca de 70% dos parceiros de um paciente infectado também estão infectados pelo parasito.

Como a taxa de sucesso é muito alta, se os sintomas desaparecerem não é preciso repetir exames para se confirmar a cura.


REFERÊNCIAS:

– SóBiologia [Tricomoníase]. Disponível em: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos/Tricomoniase.php

– G.I.V [DST: Tricomoníase]. Disponível em: http://giv.org.br/DST/Tricomon%C3%ADase/index.html

– MD.Saúde [Tricomoníase: sintomas, transmissão e tratamento]. Disponível em: https://www.mdsaude.com/2011/04/tricomoniase-sintomas.html

Fonte:

1.MACIEL, G.P., Tasca, T.T., Carli, G. A. Aspectos clínicos, patogênese e diagnóstico de Trichomonas vaginalis. J.Bras.Patol. Med. Lab, v.40, n.3, p.152 – 60, Junho 2004.

2.BENNET, J. C., PLUM, F. (ed) Textbook of Medicine. USA: W. B. Saunders Company, 20th edition, 1998ISBN 0-7216-8143-X.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *