TRATAMENTO DO SANGUE PARA DOAÇÃO

As bolsas de sangue total coletadas podem e devem ser processadas para a obtenção dos hemocomponentes. Esse processamento, que é feito por meio de centrifugação, separa os diversos componentes sanguíneos, possibilitando que o paciente (receptor de uma transfusão de sangue) receba, num menor volume, somente o componente sanguíneo do qual necessita.

Nesta fase, ou quando a coleta for realizada por aférese, podem-se obter os seguintes hemocomponentes: concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas, concentrado de granulócitos, plasma (plasma fresco congelado/rico, plasma comum/normal/simples/e plasma isento do crioprecipitado) e o crioprecipitado.

Cada um desses hemocomponentes, devidamente identificado, será armazenado e permanecerá em quarentena até a conclusão dos exames laboratoriais (tipagem sanguínea e sorologia).


ARMAZENAMENTO

A temperatura de conservação e o prazo de validade variam de acordo com o tipo de hemocomponente.

O sangue total e o concentrado de hemácias devem ser armazenados em geladeira (temperatura de 2 a 6°C). O período de validade oscila entre 21 a 42 dias, de acordo com o tipo de anticoagulante contido na bolsa. O anticoagulante mais frequentemente utilizado é o CPDA1 (Citrato, Fosfato, Dextrose e Adenina), que proporciona um período de validade de 35 dias a partir da data da coleta do sangue.

O plasma fresco congelado e o crioprecipitado devem ser armazenados em freezer (temperatura inferior a -20°C) e têm validade de um ano. Caso seja conservado em temperatura inferior a -30°C, o plasma fresco congelado terá validade de dois anos. Após esse período (um ou dois anos), ele passará a ser considerado como plasma comum e terá, então, a validade máxima de quatro anos. O plasma comum e o plasma isento do crioprecipitado devem ser conservados na mesma temperatura (inferior a -20°C) e têm validade de cinco anos.

O concentrado de plaquetas e o concentrado de granulócitos devem ser armazenados em temperatura entre 20 e 24ºC. O primeiro deve permanecer sob agitação constante e tem validade de três a cinco dias, dependendo do tipo de plástico utilizado na confecção da bolsa. O segundo tem validade de apenas 24 horas.

Para minimizar a possibilidade de uso de hemocomponentes ainda não liberados para o consumo, os hemocomponentes em quarentena (sem resultados dos exames imunoematológicos e sorológicos) deverão estar obrigatoriamente separados daqueles já liberados para uso (hemocomponentes e exames sem restrições de uso). A liberação para consumo dos mesmos deverá ser feita de forma segura, sendo imediatamente descartados aqueles hemocomponentes impróprios.

 


EXAMES LABORATORIAIS DO DOADOR

Como citado anteriormente, os hemocomponentes processados só poderão ser liberados para o consumo após a conclusão dos exames imunoematológicos e sorológicos. A seguir, citamos os exames obrigatórios que deverão ser feitos na amostra do doador.

Exames imunoematológicos:

  • tipagem sangüínea ABO (direta e reversa);
  • determinação do Fator Rh (pesquisa do antígeno D fraco, se necessário);
  • pesquisa de anticorpos irregulares (PAI).

Exames sorológicos:

  • doença de Chagas;
  • hepatite B;
  • hepatite C;
  • infecção pelo HIV/aids;
  • infecção pelo HTLV-I/II;
  • sífilis.

Além dos exames citados, em algumas situações especiais, deve ser realizada sorologia para a infecção pelo citomegalovírus, enquanto que nas regiões endêmicas com transmissão de malária deve ser realizado o exame parasitológico do sangue (distensão sangüínea/gota espessa).

O laboratório responsável pela realização dos exames citados deverá registrá-los e informar os seus resultados para o setor ou serviço responsável pela liberação dos hemocomponentes processados, indicando aqueles que podem ser utilizados e aqueles que devem ser descartados.

 



Fonte:

– Ministério da Sáude [Manual Técnico Para Investigação da Transmissão de doenças pelo Sangue] 2004 Ministério da Saúde. Série A. Normas e Manuais Técnicos Tiragem: 1.ª edição – 2004 – 1.000 exemplares. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_tecnico_transmissao_doencas_sangue.pdf

 

 

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