SARAMPO

No campo das doenças infectocontagiosas, a literatura ressalta o sarampo como uma das principais causas de morbimortalidade entre crianças menores de 5 anos, sobretudo as desnutridas e as que vivem nos países subdesenvolvidos.

Na década de 90, estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) referiam a ocorrência de mais de 45 milhões de casos de sarampo a cada ano, em todo o mundo, contribuindo com cerca de um a dois milhões de mortes, decorrentes das complicações da doença e que atingem mais frequentemente os menores de dois anos de idade.

É uma doença de distribuição universal que apresenta variação sazonal. Nos climas temperados observa-se o aumento da incidência no período entre o final do inverno e o início da primavera. Nos climas tropicais a transmissão parece aumentar depois da estação chuvosa.

O agente etiológico da doença é o vírus do sarampo, este pertencente ao gênero Morbillivirus e à família Paramyxoviridae.

As crianças adquirem a infecção pelo sarampo ao inalar gotículas transportadas pelo ar expelidas na tosse de uma pessoa infectada. Aproximadamente 90% das pessoas que não têm imunidade contra o sarampo desenvolvem a doença depois de serem expostas a uma pessoa com sarampo. O sarampo é contagioso de vários dias antes a vários dias depois do surgimento da erupção cutânea.

Mulheres que tiveram sarampo ou que foram vacinadas transmitem a imunidade (sob a forma de anticorpos) aos seus filhos. Essa imunidade dura a maior parte do primeiro ano de vida. Depois do primeiro ano, no entanto, a suscetibilidade ao sarampo é alta, a menos que se administre a vacina. Uma pessoa que teve sarampo desenvolve imunidade e normalmente não pode contraí-lo de novo.


SINTOMAS

Os sintomas do sarampo começam aproximadamente sete a catorze dias depois da infecção. A criança infectada começa sentindo febre, congestão nasal, tosse seca e apresenta vermelhidão dos olhos. Por vezes, os olhos ficam sensíveis à luz intensa. Antes de a erupção cutânea ter início, manchas minúsculas de cor vermelho-vivo com centros brancos ou azulados (manchas de Koplik) podem aparecer dentro da boca. Essas manchas podem se parecer com grãos de areia. Depois disso, a criança desenvolve dor de garganta.

Uma leve erupção pruriginosa surge três a cinco dias depois de os sintomas começarem. A erupção começa na frente e por baixo das orelhas e dos lados do pescoço, tem superfície irregular, plana e vermelha, e rapidamente começa a ficar saliente. A erupção se espalha no espaço de um ou dois dias para o tronco, os braços, as palmas, as pernas e as solas dos pés e começa a desaparecer da face.

No ápice da doença, a criança se sente muito doente e desenvolve inflamação ocular (conjuntivite), a erupção cutânea é extensa e a temperatura pode ultrapassar 40 ºC. Em três a cinco dias, a temperatura cai, a criança começa a se sentir melhor e a erupção cutânea remanescente rapidamente desaparece.


COMPLICAÇÕES DO SARAMPO

Infecção cerebral – ocorre em aproximadamente uma a cada 1.000 a 2.000 crianças com sarampo.

Pneumonia – causada por infecção pelo sarampo nos pulmões ocorre em aproximadamente 5% das pessoas.

Sangramento excessivo – pode ocorrer depois de a infecção pelo sarampo já ter se resolvido, porque os níveis de plaquetas no sangue da pessoa se tornam baixos (trombocitopenia).

Panencefalite esclerosante subaguda é uma complicação rara do sarampo que causa lesões cerebrais e morte.


TRATAMENTO DO SARAMPO

Não existe tratamento específico para o sarampo. Os médicos administram vitamina A as crianças com sarampo porque a vitamina A tem reduzido o número de mortes e de doença séria resultante do sarampo em países em que a deficiência de vitamina A é comum.

Crianças com sarampo devem ser mantidas sempre aquecidas e confortáveis.

Para reduzir a febre, pode ser administrado paracetamol ou ibuprofeno.

Um antibiótico é administrado caso ocorra o desenvolvimento de infecção bacteriana.


PREVENÇÃO DO SARAMPO

A vacina contra o sarampo, uma das imunizações rotineiras da infância, é dada entre os 12 e os 15 meses de idade, mas pode ser dada até mesmo a crianças com seis meses de idade durante uma epidemia de sarampo ou antes de uma viagem internacional. Uma segunda dose é dada entre os quatro anos e os seis anos de idade. As crianças que tinham menos de um ano de idade quando foram imunizadas ainda precisam de duas doses depois do primeiro aniversário. A vacina que é usada é uma vacina combinada. A combinação contém a vacina contra o sarampo, caxumba e rubéola e algumas vezes também a vacina contra varicela (catapora). Não existe uma vacina em separado apenas para o sarampo. Em algumas crianças, a vacinação causa febre leve e erupção cutânea, mas as pessoas não são contagiosas.

A vacina não causa autismo.

Crianças (e adultos) expostas ao sarampo e que não têm imunidade podem ser protegidas por vacinação no prazo de três dias desde a exposição. As pessoas que não devem receber a vacina, como mulheres grávidas, pessoas com certos tipos de câncer ou tuberculose não tratada e pessoas com doenças sérias ou sistemas imunológicos enfraquecidos, recebem ao invés imunoglobulina para proteção.


REFERÊNCIAS

– Ministério da Saúde [Guia de Vigilância para Erradicação do Sarampo, Controle da Rubéola e da Síndrome da Rubéola Congênita]. Disponível em: ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/resp/guiasarubsrc.pdf

– Msd Manuals – Versão Saúde para a Família  [Sarampo].Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-pt/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-infantil/infec%C3%A7%C3%B5es-virais-em-beb%C3%AAs-e-crian%C3%A7as/sarampo

 

 

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