O QUE É PEP? – PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO

A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) de risco à infecção pelo HIV, hepatites virais e outras IST consiste no uso de medicamentos para reduzir o risco de adquirir essas infecções.

O esquema antirretroviral (ARV) da PEP para HIV foi simplificado na atualização do PCDT, em 2015, com recomendações de profilaxia pela avaliação do risco da situação de exposição e não mais por categoria de exposição (acidente com material biológico, violência sexual e exposição sexual consentida).

A PEP para HIV está disponível no SUS desde 1999; atualmente, é uma tecnologia inserida no conjunto de estratégias da Prevenção Combinada, cujo principal objetivo é ampliar as formas de intervenção para evitar novas infecções pelo HIV.

Essa forma de prevenção já é usada com sucesso nos casos de violência sexual e de profissionais de saúde que se acidentam com agulhas e outros objetos cortantes contaminados.


TIPO DE EXPOSIÇÃO

Existem exposições com risco de infecção e envolvidos na transmissão do HIV. Assim, o tipo de exposição constitui situação na qual a PEP pode estar recomendada.

Exposição COM RISCO DE TRANSMISSÃO DO HIV

 › Percutânea

› Membranas mucosas

› Cutâneas pele não íntegra

› Mordedura com presença de sangue

 

Exposição SEM RISCO DE TRANSMISSÃO DO HIV

› Cutânea em pele íntegra

› Mordedura sem a presença de sangue

 


TIPOS DE MATERIAL BIOLÓGICO INFECTANTE

Existem materiais biológicos sabidamente infectantes e envolvidos na transmissão do HIV. Assim, a exposição a esses materiais constitui situação na qual a PEP está recomendada.

Exposição COM RISCO DE TRANSMISSÃO DO HIV

› Sangue

› Sêmen

› Fluidos vaginais

› Líquidos de serosas (peritoneal, pleural, pericárdico)

› Líquido aminiótico

› Líquor

› Líquido articular

› Leite materno

 

Exposição SEM RISCO DE TRANSMISSÃO HIV

› Suor

› Lágrima

› Fezes

› Urina

› Vômitos

› Saliva

› Secreções nasais

Observação: A presença de sangue nessas secreções torna esses materiais potencialmente infectantes, caso em que o uso de PEP pode ser indicado.

 


QUANDO O PEP DEVE SER USADO?

As situações de exposição ao HIV constituem atendimento de urgência, em função da necessidade de início precoce da profilaxia para maior eficácia da intervenção. Não há benefício da profilaxia com ARV após 72 horas da exposição.

Nos casos em que o atendimento ocorrer após 72 horas da exposição, não está mais indicada a profilaxia ARV. Entretanto, se o material e o tipo de exposição forem de risco, recomenda-se acompanhamento sorológico.

A indicação ou não de PEP irá depender do status sorológico para HIV da pessoa exposta, que deve sempre ser avaliado por meio de teste rápido (TR) em situações de exposições consideradas de risco:

Se TR reagente: a PEP não está indicada. A infecção pelo HIV ocorreu antes da exposição que motivou o atendimento e a pessoa deve ser encaminhada para acompanhamento clínico e início do Tratamento Antirretroviral – TARV.

Se TR não reagente: a PEP está indicada, pois a pessoa exposta é susceptível ao HIV.

Se resultado discordante ou TR inválido: não é possível confirmar o status sorológico da pessoa exposta. Recomenda-se iniciar o fluxo laboratorial para elucidação. A decisão de iniciar ou não a profilaxia deve ser avaliada conforme critério clínico e em conjunto com a pessoa exposta.

É um direito da pessoa recusar a PEP ou outros procedimentos indicados após a exposição (por exemplo, coleta de exames sorológicos e laboratoriais). Nesses casos, sugere-se o registro em prontuário, documentando a recusa e explicitando que no atendimento foram fornecidas as informações sobre os riscos da exposição, assim como a relação entre o risco e o benefício das intervenções.


ESQUEMA ANTIRRETROVIRAL PARA PEP

Quando recomendada a PEP, independentemente do tipo de exposição ou do material biológico envolvido, o esquema antirretroviral preferencial indicado deve ser:

TDF + 3TC + DTG A duração da PEP é de 28 dias.

A apresentação coformulada do TDF/3TC é a preferencial para PEP. Entretanto, na indisponibilidade desta, a dispensação da medicação pode ser separada, conforme o Quadro 5.

O esquema preferencial (TDF + 3TC + DTG) possui menor número de efeitos adversos e baixa interação medicamentosa, o que propicia melhor adesão e manejo clínico. Além disso, apresenta alta barreira genética, aumentando a segurança para evitar a resistência transmitida, principalmente quando a pessoa-fonte é multiexperimentada.

Os esquemas alternativos para PEP estão descritos no Quadro 6, enquanto as apresentações e as posologias de antirretrovirais alternativos para PEP estão resumidos no Quadro 7.



 

REFERÊNCIAS:

– Ministério da Saúde do Brasil – Departamento de Vigilância , Prevenção e Controle das IST’s , do HIV/AIDS e das Hepatites Virais [Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas  para Profilaxia Pós-Exposição (PEP) de Risco à Infecção pelo HIV, IST e Hepatites Virais]. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-profilaxia-pos-exposicao-pep-de-risco

– GIV – Grupo de Incentivo a Vida [O que é PEP]. Disponível em: http://www.giv.org.br/HIV-e-AIDS/PEP-Profilaxia-P%C3%B3s-Exposi%C3%A7%C3%A3o/index.html

– PEP Sexual – Secretaria de Saúde de São Paulo – SP [O que é PEP]. Disponível em: http://www3.crt.saude.sp.gov.br/profilaxia/hotsite/

 

 

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