O QUE É A PrEP?

PrEP significa profilaxia pré-exposição. Pré-exposição porque é tomada antes da relação sexual.

Profilaxia Pré-exposição (PrEP) ao vírus da imunodeficiência humana, o HIV, é uma estratégia de prevenção que envolve a utilização de um medicamento antirretroviral (ARV), por pessoas não infectadas, para reduzir o risco de aquisição do HIV através de relações sexuais. O medicamento ARV irá bloquear o ciclo da multiplicação desse vírus, impedindo a infecção do organismo.

Há duas formas principais de PrEP: a PrEP Oral em forma de comprimido e a PrEP Tópica em forma de gel. Os resultados iniciais dos ensaios clínicos de PrEP Oral indicam que essa estratégia de prevenção pode ser extremamente útil para a mudança de cenário necessária no combate  a infecção pelo vírus HIV.

PrEP Oral baseia-se no uso de medicamentos ARV para a prevenção da aquisição do HIV e sua eficácia parcial foi demonstrada entre homens que fazem sexo com homens (HSH) e heterossexuais. Intervenções de prevenção biomédica, como a PrEP, têm um grande potencial, especialmente se combinadas a testagem anti-HIV ampliada (mensal ou trimestral), diagnóstico e vinculação ao tratamento daqueles identificados como infectados pelo HIV.

Atualmente a PrEP está apenas disponível sob a forma de comprimidos, utilizando uma combinação de 2 substâncias: o tenofovir e a emtricitabina. O nome do medicamento que contém ambas as substâncias é o Truvada® mas existem países como a Índia que produzem genéricos como o Tenvir-EM®. Tanto o tenofovir como a emtricitabina são fármacos atualmente usados para o tratamento de pessoas que vivem com o HIV.

Aprovado inicialmente em 2004 para tratamento, o Truvada® já foi aprovado nos EUA em 2012 para ser utilizado como PrEP. Existem alguns estudos que demonstram que o tenofovir usado isoladamente é eficaz na prevenção da infeção através do sexo vaginal.

É importante salientar que o medicamento Truvada® não tem qualquer efeito sobre outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorréia, HPV, hepatite B, além de também não prevenir a gravidez.

A Truvada® está regulamentada pela Anvisa para uso em território nacional e pode ser adquirido mediante compra, por qualquer pessoa que se considere vulnerável a infecção pelo vírus HIV.


QUAL A DIFERENÇA ENTRE PrEP e PEP?

Profilaxia pós-exposição (PEP), é dada a indivíduos após uma possível exposição ao HIV. Se administrada em até 3 dias da exposição ao HIV, a PEP já se mostrou capaz de reduzir o risco de infecção pelo HIV – porém não é uma substituta para outras estratégias de prevenção do HIV.

Na Profilaxia pré-exposição (PrEP), um indivíduo toma um medicamento para o tratamento do HIV como prevenção à infecção. O único medicamento recomendado atualmente é o Truvada (1 comprimido por dia).

 


QUEM PODE RECEBER A PrEP PELO SUS?

A partir de dezembro, a terapia estará disponível em serviços do SUS que já trabalham com prevenção do HIV, como Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) ou Serviços de Assistência Especializada em HIV (SAE).

O medicamento poderá ser acessado gratuitamente por pessoas de grupos considerados vulneráveis.

De acordo com o Ministério da Saúde, aqueles que sentem a necessidade da terapia irão passar por uma análise com profissionais da saúde, na qual serão consideradas práticas sexuais, compromisso com a adesão ao medicamento e número de parceiros sexuais, entre outros fatores.

O principal alvo do programa em sua fase inicial está em:

  • Profissionais do sexo de ambos os sexos; Homens que fazem sexo com homens (HSH), travestis e mulheres transexuais;

  • Homossexuais e transexuais com igual ou superior a 18 anos;

  • Não ser infectado por HIV-1;

  • Ser disposto e capaz de fornecer consentimento livre e esclarecido* por escrito; Bem como seguir o regime de consultas e testagem anti-HIV trimestral.

  • Possuir qualquer uma das seguintes evidências de risco para aquisição de infecção pelo HIV-1:

1.Ter praticado sexo anal sem preservativo com 2 ou mais homens ou mulheres transexuais nos últimos 12 meses; ou


2.Ter dois ou mais episódios de sexo anal ou vaginal com pelo menos um parceiro HIV+ nos últimos 12 meses; ou


3.Ter praticado sexo com um homem ou mulher transexual e possuir diagnóstico de qualquer uma das seguintes doenças sexualmente transmissíveis nos últimos 12 meses: sífilis, gonorreia retal ou infecção por clamídia no reto.


 

O CONCEITO DE GRUPO DE RISCO ADOTADO PELO BRASIL JÁ ESTÁ ULTRAPASSADO?

Sim, é ultrapassado, pois o que deve ser considerado é o comportamento das pessoas e esse comportamento pode variar muito. Uma mesma pessoa pode ter períodos nos quais seu comportamento a coloca em maior risco e outros períodos nos quais ela corre pouco ou nenhum risco.

É muito importante que a pessoa saiba muito bem o que a coloca em maior risco e o que a pode proteger quando essas situações acontecerem. Cada um de nós precisa ter um plano sobre o que fazer se uma situação dessas acontecer. Conhecimento sobre prevenção do HIV é fundamental para quem tem vida sexual ativa e esse conhecimento não pode ficar restrito ao meio acadêmico.


DIRETRIZES INTERNACIONAIS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a PrEP pode ser priorizada para populações de maior risco como homens que fazem sexo com homens (HSH), usuários de drogas injetáveis (UDI) e profissionais do sexo, e àqueles em risco de transmissão sexual em áreas com transmissão endêmica ou hiperendêmica do HIV.

Em dezembro de 2011, a empresa biofarmacêutica norte-americana Gilead Sciences apresentou ao Food and Drugs Administration (FDA, EUA) o pedido de registro do Truvada® uma vez ao dia para a profilaxia pré-exposição ao HIV em adultos não infectados. Em julho de 2012 essa agência regulatória concedeu a aprovação.

Os Centros de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publicou em 14 de maio de 2014 as “Diretrizes Clínicas para o uso de PrEP”. Em relação à transmissão sexual, o Guia do CDCrecomenda a PrEP para pessoas HIV negativas com alto risco de contrair o HIV, como por exemplo:

  1. Qualquer pessoa num relacionamento fixo com um parceiro HIV positivo.

  2. Qualquer pessoa que NÃO esteja numa relação monogâmica com um parceiro com resultado negativo para HIV recente;

  3. homens que fazem sexo com homens (HSH) ou bissexuais que teveram pelo menos uma relação anal sem preservativo ou foram diagnosticados com uma doença sexualmente transmissível nos últimos 6 meses;

  4. homens ou mulheres heterossexuais que não usam preservativos regularmente nas relações sexuais com parceiros que desconhecem se têm HIV e estão em alto risco de contrair HIV, como por exemplo, parceiros usuário de drogas injetáveis ou parceiros bissexuais do sexo masculino.


REFERÊNCIAS:

– PreP Brasil [Profilaxia pré-exposição – Pesquisa PrEP Brasil]. Disponível em: http://prepbrasil.com.br/

– PrEP [O que é PrEP]. Disponível em: https://www.prep.pt/o-que-e-prep

 

 

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