LEPTOSPIROSE

leptospirose é primariamente uma zoonose. Acomete roedores e outros mamíferos silvestres e é um problema veterinário relevante, atingindo animais domésticos (cães, gatos) e outros de importância econômica (bois, cavalos, porcos, cabras, ovelhas). Esses animais, mesmo quando vacinados, podem tornar-se portadores assintomáticos e eliminar a L. interrogans junto com a urina.

leptospirose é uma doença infecciosa febril, aguda, potencialmente grave, causada por uma bactéria, a Leptospira interrogans. É uma zoonose(doença de animais) que ocorre  no mundo inteiro, exceto nas regiões polares. Em seres humanos, ocorre em pessoas de todas as idades e em ambos os sexos. Na maioria (90%) dos casos de leptospirose a evolução é benigna, quando tratada adequadamente.

Alguns animais atuam como portadores e transmitem as bactérias na sua urina. Outros ficam doentes e morrem. As pessoas contraem essas infecções diretamente através de animais infectados ou indiretamente através do solo ou água contaminados pela urina de um animal infectado.

A leptospirose é uma doença ocupacional entre agricultores e trabalhadores de matadouros. Porém, a maioria das pessoas se infecta durante atividades ao ar livre, quando entra em contato com solo e água contaminados, particularmente enquanto nada ou caminha por água parada.

As 40 a 100 infecções relatadas a cada ano nos Estados Unidos ocorrem principalmente no fim do verão e início do outono. Uma vez que a leptospirose apresenta sintomas pouco específicos, como de uma gripe, e que vão embora por si mesmos, muitas infecções passam despercebidas.

A doença apresenta elevada incidência em determinadas áreas, alto custo hospitalar e perdas de dias de trabalho, além do risco de letalidade, que pode chegar a 40% nos casos mais graves. Sua ocorrência está relacionada às precárias condições de infraestrutura sanitária e alta infestação de roedores infectados. As inundações propiciam a disseminação e a persistência do agente causal no ambiente, facilitando a ocorrência de surtos, que ocorrem principalmente com as chuvas de verão no Brasil.

 


TRANSMISSÃO

Durante as enchentes, a urina dos ratos, presente nos esgotos e bueiros, mistura-se à enxurrada e à lama. Qualquer pessoa que tiver contato com a água ou lama pode infectar-se. As leptospiras penetram no corpo pela pele, principalmente por arranhões ou ferimentos, e também pela pele íntegra, imersa por longos períodos na água ou lama contaminada. O contato com esgotos, lagoas, rios e terrenos baldios também pode propiciar a infecção.

Veterinários e tratadores de animais podem adquirir a doença pelo contato com a urina, sangue, tecidos e órgãos de animais infectados.

L. interrogans penetra através da pele e de mucosas (olhos, nariz, boca) ou através da ingestão de água e alimentos contaminados. Os seres humanos são infectados casual e transitoriamente, e não tem importância como transmissor da doença. A transmissão de uma pessoa para outra é muito pouco provável.

 


SINTOMAS DA DOENÇA

O período de incubação varia de 2 a 20 dias (normalmente, 7 a 13 dias). A doença é caracteristicamente bifásica.

  • Primeira fase: Cerca de dois a vinte dias após ocorrer a infecção, repentinamente há surgimento de febre, dor de cabeça, dor de garganta, dores musculares intensas nas panturrilhas e na costas, e calafrios. Os olhos ficam geralmente muito vermelhos no terceiro ou quarto dia. Algumas pessoas tossem, ocasionalmente expectorando sangue, e apresentam dor no peito. A maior parte das pessoas se recupera em cerca de uma semana.
  • Segunda fase (imune): Em algumas pessoas, os sintomas ocorrem novamente alguns dias depois. Eles resultam de inflamação causada pelo sistema imunológico à medida que elimina a bactéria do corpo. A febre retorna e os tecidos que recobrem o cérebro e a medula espinhal (meninges) muitas vezes ficam inflamados. Essa inflamação (meningite) causa rigidez no pescoço e dor de cabeça.

Se a leptospirose se desenvolver no início da gravidez, o risco de aborto espontâneo aumenta.

Síndrome de Weil

Essa forma pode ocorrer durante a segunda fase. Ela causa icterícia (descoloração amarelada da pele e da parte branca dos olhos causada por dano hepático), insuficiência renal e tendência a sangrar. As pessoas podem apresentar sangramento do nariz ou tossir sangue, ou o sangramento pode ocorrer dentro dos tecidos na pele, pulmões e, menos comumente, no trato digestivo. Pode se desenvolver anemia. Vários órgãos, como o coração, pulmões e rins, podem parar de funcionar.

As pessoas que não desenvolvem icterícia se recuperam. Cerca de 5 a 10% das pessoas com icterícia e um percentual mais alto das com mais de 60 anos morrem. O risco de morte é mais elevado se ocorrerem alterações no funcionamento mental, insuficiência renal, insuficiência respiratória e sangramento interno.


DIAGNÓSTICO

Para confirmar o diagnóstico, os médicos recolhem uma amostra de sangue e urina. Essas amostras são analisadas. Se as pessoas tiverem sintomas de meningite, os médicos fazem uma punção na coluna vertebral (punção lombar) para obter uma amostra do líquido que circunda o cérebro e a medula espinhal (líquido cefalorraquidiano). Geralmente, são obtidas várias amostras no curso de várias semanas. Essas amostras são enviadas para um laboratório onde é realizada a cultura da bactéria.

Identificar as bactérias em culturas ou, mais comumente, detectar anticorpos contra essas bactérias no sangue confirma o diagnóstico.

 


TRATAMENTO

Terapia antibiótica é mais eficaz quando iniciada no começo da infecção. Em doença grave, 5 a 6 milhões de unidades de penicilina G por via intravenosa (IV) a cada 6 h, ou ampicilina, 500 a 1.000 mg, IV, a cada 6 h, são recomendadas. Em casos menos graves, doxiciclina, 100 mg, por via oral (VO), a cada 12 h, ampicilina, 500 a 750 mg, VO, a cada 6 h, ou amoxicilina, 500 mg, VO, a cada 6 h, podem ser administradas durante 5 a 7 dias. Em casos graves, cuidados de suporte, incluindo fluidos e terapia eletrolítica, também são importantes. O isolamento do paciente não é necessário, mas a urina deve ser manipulada e dispensada cuidadosamente.

As pessoas com a infecção não têm de permanecer isoladas, mas devem tomar precauções ao manipular e descartar a urina.

As pessoas que sofrem de síndrome de Weil podem necessitar de transfusões e hemodiálise.

Doxiciclina, 200 mg, VO, administrada 1 vez/semana durante um período de exposição geográfica conhecida, previne a doença.

 



REFERÊNCIAS

– Ministério da Saúde – Portal Ministério da Saúde [Leptospirose]. Disponível em: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/leptospirose

– CIVES – Centro de Informação em Saúde para Viajantes [Leptospirose]. Disponível em: http://www.cives.ufrj.br/informacao/leptospirose/lep-iv.html

– MSD Manuals, Versão Saúde para a Família [Leptospirose]. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/infec%C3%A7%C3%B5es/infec%C3%A7%C3%B5es-bacterianas/leptospirose

– MSD Manuals, Versão para Profissionais de Saúde [Leptospirose]. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/doen%C3%A7as-infecciosas/espiroquetas/leptospirose

 

 

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