INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS MAIS COMUNS NA POPULAÇÃO BRASILEIRA

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos.

São transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) sem o uso de camisinha masculina ou feminina, com uma pessoa que esteja infectada. A transmissão de uma IST pode acontecer, ainda, da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação.

O tratamento das pessoas com IST melhora a qualidade de vida e interrompe a cadeia de transmissão dessas infecções. O atendimento e o tratamento são gratuitos nos serviços de saúde do SUS.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças Americano, o CDC, estimou nos Estados Unidos, que os números de episódios de sífilis, gonorreia e clamídia, no que compreende ao ano de 2017, teve um aumento de 15,1%5,1% e 2,8%, respectivamente. No Brasil, o cenário estimado não é muito diferente, porém como apenas os casos de HIV e de sífilis em gestantes e bebês são notificados obrigatoriamente ao Ministério da Saúde, é difícil ter estatísticas gerais mais fidedignas.

Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas 56,6% dos brasileiros entre 15 e 24 anos usam camisinha com parceiros eventuais. O percentual é ainda menor se comparado com brasileiros acima dos 60 anos.

Fazendo uma média de registros e casos, num apanhado geral do histórico de casos de IST’s nos últimos dois anos, veja abaixo algumas considerações sobre as infecções mais recorrentes entre a população Brasileira.


  • 1 Sífilis

Transmitida pela bactéria Treponema pallidum, a infecção apresenta diferentes estágios, do primário ao terciário, e tem maior potencial de infecção nas duas primeiras fases, que costumam ocorrer até 40 dias após o contágio. É transmitida por relações sexuais ou pode ser passada da gestante para o bebê.

“A sífilis congênita, que é notificada compulsoriamente no Ministério da Saúde, é transmitida de mãe para filho e teve aumento de quase 200% ao longo dos últimos dois anos”, alerta a infectologista Brenda Hoagland, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).

Os sintomas são feridas na região genital (na fase primária) e manchas no corpo que sugerem uma alergia (na fase secundária). O tratamento da doença é gratuito na rede pública, feito com penicilina.


  • 2 Gonorreia

A doença é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, que infecta sobretudo a uretra.

O sintoma mais comum é a presença de corrimento na região genital, mas a infecção pode causar dor ou ardor ao urinar, dor ou sangramento na relação sexual e, nos homens, dor nos testículos. A maioria das mulheres infectadas não apresenta sintomas.

O tratamento é feito com antibiótico e deve ser estendido ao parceiro, mesmo que este não tenha sintomas.

Quando não tratada, a infecção pode atingir vários órgãos, como o testículo, nos homens, e o útero e as trompas, nas mulheres, e pode causar infertilidade e complicações graves.


  •     3 Herpes genital

Transmitido pela relação sexual com uma pessoa infectada, o vírus do herpes causa pequenas bolhas e lesões dolorosas na região genital masculina e feminina.

As feridas podem acompanhar ardor, coceira, dor ao urinar e mesmo febre, e os sintomas podem reaparecer ou se prolongar quando a imunidade está baixa.

“O herpes não tem cura. A partir do momento que você tem uma infecção, você ter vários episódios ao longo da vida. A única forma de prevenção é o preservativo”, ressalta a infectologista Brenda Hoagland, da Fiocruz.

Além do incômodo causado pelas lesões, o herpes pode facilitar a entrada das outras doenças sexualmente transmissíveis.

Os portadores do vírus devem ter cuidado redobrado para não transmiti-lo, o que ocorre principalmente quando as feridas estão presentes, mas pode também ocorrer na ausência das lesões ou quando elas já estão cicatrizadas.

A doença pode ter consequências graves durante a gravidez, podendo provocar aborto e trazer sérios riscos para o bebê.


  •   4 HIV/Aids

O vírus da imunodeficiência humana é o causador da Aids, que ataca o sistema imunológico e derruba o sistema de defesa do organismo.

No Brasil, a epidemia de HIV/Aids é considerada estabilizada, mas vem avançando entre os mais jovens.

Na última década, o índice de contágio mais que dobrou entre jovens de 15 a 19 anos, passando de 2,8 casos por 100 mil habitantes para 5,8 casos.

Também aumentou na faixa etária entre acima dos 60 anos, chegando a 21,8 casos a cada 100 mil habitantes.

“Isso mostra que nossa população jovem está vulnerável ao HIV e precisa acessar mais conhecimento e os serviços de saúde para se testar”, afirma a infectologista Brenda Hoagland, pesquisadora do Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e AIDS do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).

“Como a nova geração não assistiu à epidemia quando o HIV ainda não tinha tratamento, é possível que não tenha uma percepção sobre a gravidade do HIV, o que aumenta nossa responsabilidade de informar sobre riscos e prevenção”, acrescenta ela.


  • 5 Clamídia

A clamídia é a doença sexualmente transmissível mais comum no mundo. O paciente infectado por clamídia costuma não desenvolver sintomas, mas quando o faz, o quadro clínico é muito parecido com o da gonorreia, sendo impossível distingui-las apenas pelos sintomas.

Causada por uma bactéria chamada Chlamydia trachomatis. Nem todas as pessoas contaminadas com clamídia apresentam sintomas, podendo a infecção passar despercebida por muitos anos. Os pacientes com clamídia assintomática tornam-se fontes de contaminação permanentes, motivo pelo qual a clamídia é a IST mais comum no mundo.

Nas mulheres, os principais sintomas da Chlamydia trachomatis são:

  • Corrimento vaginal.
  • Coceira vaginal.
  • Sangramento vaginal.
  • Dor abdominal.
  • Dor durante o sexo.
  • Ardência ou dor ao urinar.

No homens, os sintomas mais comuns de clamídia incluem:

  • Ardência ou dor ao urinar.
  • Saída de corrimento purulento pela uretra.
  • Dor nos testículos
  • Inchaço do saco escrotal.
  • Proctite (inflamação do ânus que ocorre em homens homossexuais passivos).

A faringite por Chlamydia trachomatis é uma quadro incomum, mas pode surgir se a via de transmissão for o sexo oral.

O tratamento da clamídia é simples, sendo feito com administração de antibióticos, sendo a Azitromicina o antibiótico mais comum, porém a escolha do tratamento deve ser feita por um médico.


  • 6  HPV

O Papilomavírus Humano existe com mais de 200 variações e se manifesta por meio de formações verrugosas – que podem aparecer no pênis, vulva, vagina, ânus, colo do útero, boca ou garganta.

O sexo é a principal forma de transmissão do HPV, seja pelo coito ou pelo sexo oral.

O HPV é uma preocupação grave de saúde pública pelo potencial de alguns tipos do vírus causarem câncer, principalmente no colo do útero e no ânus, mas também na boca e na garganta, que vêm aumentando entre os jovens.

O vírus pode ficar latente por períodos prolongados sem que haja sintomas, e é difícil erradicar a infecção por completo.

Por isso, especialistas recomendam que mulheres em idade reprodutiva façam exames preventivos anuais no colo do útero para monitorar o aparecimento de possíveis lesões que antecedem o câncer e que podem ser tratadas.

A infectologista Brenda Hoagland, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), estende a recomendação a homens que fazem sexo anal desprotegido, e devem fazer exames preventivos na região anal e no reto.

No fim do ano passado, o Ministério da Saúde anunciou que a vacina quadrivalente que protege contra quatro tipos de HPV passaria a ser oferecida também para meninos, na faixa de 12 a 13 anos, onde até o momento, a vacina só era disponibilizada para meninas de 9 a 13 anos.


  •   7 Hepatite B ou C

No Brasil, as formas virais mais comuns de hepatite ou inflamação do fígado são as causadas pelos vírus A, B ou C.

A hepatite B é transmitida sexualmente, e também por transfusão de sangue e compartilhamento de material para uso de drogas, entre outros.

As mesmas formas valem para a hepatite C, mas a transmissão sexual é mais rara, por isso, ela não é considerada propriamente uma infecção sexualmente transmissível.

De acordo com o Ministério da Saúde, milhões de brasileiros são portadores dos vírus B ou C e não sabem.

Correm, assim, o risco de desenvolver a doença crônica e ter graves danos ao fígado, como cirrose e câncer.

A vacina contra a hepatite B é gratuita e disponível na rede pública. O diagnóstico é feito por meio de exame de sangue e o tratamento pode combinar medicamentos e corte de bebidas alcoólicas.

Os sintomas para ambas as doenças são raros, mas podem incluir cansaço, tontura, enjoo e pele e olhos amarelados.

Como a doença é considerada “silenciosa”, é indicado realizar exames de rotina que detectam todas as suas formas.

Ainda não há vacina para a hepatite C.

 



REFERÊNCIAS:

– Ministério da Saúde – Vigilância, prevenção e controle das ISTs, HIVAids e das Hepatites Virais [O que são ISTs?]. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/o-que-sao-ist

– BBC Brasil [Seis doenças sexualmente transmissíveis em alta entre jovens brasileiros]. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39093771

– Revista Saúde Abril [Doenças Sexualmente Transmissíveis não param de crescer]. Disponível em: https://saude.abril.com.br/bem-estar/numero-de-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-nao-para-de-crescer/

– MD.Saúde [Clamídia – Sintomas, transmissão e tratamento]. Disponível em: https://www.mdsaude.com/2012/07/clamidia.html

 

 

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