CRISE DE AUSÊNCIA

A crise de ausência pode ser descrita como uma manifestação da epilepsia, bem mais comum em crianças do que em adultos. Consiste em perda da consciência por menos de 20 segundos, com tremor palpebral; o tônus da musculatura axial pode ou não ser perdido.

A pessoa que sofre desse mal, fica ausente e estática por alguns segundos, depois retornam naturalmente ao momento que foi interrompido.

Os pacientes não caem nem apresentam contrações espasmódicas; cessam abruptamente sua atividade, retomando-a da mesma forma, sem sintomas pós-ictais ou sem saber que tiveram uma crise epiléptica.

Sendo assim, as crises de ausência são um tipo específico de crise caracterizada pela interrupção abrupta de atividade e responsividade associada a movimentos mínimos, se houver algum. As crises de ausência são subdivididas em crises de ausência típica, atípica e ausência com características especiais.

Crise Típica de Ausência: As crises de ausência típica duram aproximadamente de 5 a 10 segundos, têm confusão pós-ictal mínima, se houver, e geralmente são precipitadas por hiperventilação e, às vezes, por fotoestimulação.

As síndromes epilépticas com crises de ausência típica incluem epilepsia do tipo ausência da infância (EAI; caracterizada por breves crises de ausência, geralmente sem convulsões), epilepsia do tipo ausência juvenil (EAJ; caracterizada por crises de ausência com crises tônico-clônicas e, menos comumente, mioclônicas) e epilepsia mioclônica juvenil (EMJ; síndrome generalizada caracterizada por mioclonias, crises tônico-clônicas generalizadas e, menos comumente, crises de ausência; forte associação com fotossensibilidade).

Crise Atípica de Ausência: As crises atípicas de ausência em geral ocorrem como parte da síndrome de Lennox-Gastaut, uma forma grave de epilepsia que se inicia antes dos 4 anos de idade. Elas diferem no seguinte das crises de ausência típicas:

  • Duram mais.
  • São acompanhadas por movimentos reflexos ou automáticos mais pronunciados
  • A perda de consciência é menos completa.

Muitos pacientes têm história de lesão do sistema nervoso, atraso de desenvolvimento, resultados anormais de exame neurológico e outros tipos de crise epiléptica. As crises de ausência atípicas geralmente continuam na idade adulta.

As crises de ausência com características especiais incluem ausência mioclônica e mioclonia palpebral, típicos da síndrome de Jeavons.

As crises de ausência muitas vezes são imperceptíveis por causa das suas manifestações sutis, tornando-se às vezes difícil de serem detectadas, até mesmo por médicos.

O tratamento da crise de ausência é feito através de medicamentos antiepilépticos cujo objetivo é reduzir as anormalidades dos impulsos elétricos no cérebro e, assim, impedir as crises.

As crises podem cessar antes de 18 anos de idade, podem permanecer pelo resto da vida ou vir a desenvolver ataques epilépticos com convulsões.

Em caso de suspeita de crise de ausência, deve-se procurar um médico neurologista, se for em adultos, ou um pediatra ou neuropediatra, para as crianças.

 



REFERÊNCIAS:

– BMJ Best Pratice [Crise de Ausência]. Disponível em: https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/115

– MSD Manuals, Versão para Profissionais da Saúde [Transtornos Convulsivos]. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/transtornos-convulsivos/transtornos-convulsivos

– Médico Responde [O que é Crise de Ausência?]. Disponível em: https://medicoresponde.com.br/o-que-e-uma-crise-de-ausencia/

 

 

 

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