COQUELUCHE

A coqueluche é uma doença infecciosa aguda e transmissível, que compromete o aparelho respiratório (traquéia e brônquios).

O agente etiológico causador da coqueluche é o bacilo Bordetella pertussis. Ela compromete especificamente o aparelho respiratório e tem como característica a tosse seca. A doença ocorre sob as formas endêmica e epidêmica.

Em lactentes, a coqueluche pode apresentar complicações e levar à morte. O homem é o único reservatório natural do bacilo causador da coqueluche. Ainda não foi constatada a existência de portadores crônicos. Entretanto, podem ocorrer casos sem sintomas da doença e com pouca importância na disseminação da mesma.

Coqueluche é a única doença infantil de distribuição mundial que a cada ano se torna mais comum, mesmo que possa ser prevenida por uma vacina.

As pessoas podem desenvolver coqueluche em qualquer idade, mas mais de 70% dos casos ocorrem em crianças com menos de 5 anos e quase 40% dos casos ocorrem em bebês com menos de 6 meses.

A coqueluche é mais séria em crianças com menos de 2 anos, e quase todas as mortes ocorrem em crianças com menos de 6 meses. A maioria das mortes é causada por pneumonia e complicações que afetam o cérebro. A coqueluche também é séria em pessoas idosas.

Uma pessoa infectada dissemina bactérias de coqueluche no ar em gotículas produzidas na tosse. Qualquer pessoa ao redor pode inalar essas gotículas e se infectar. A coqueluche em geral não é contagiosa após a terceira semana de infecção.

É importante salientar que a pessoa que teve coqueluche, não necessariamente ficará imune por toda a vida. Ela poderá sofrer um segundo ataque de coqueluche na vida, com o qual poderá ser identificado como pneumonia incomum ou outra.

A melhor forma de prevenção à doença é a vacinação. A vacina contra a coqueluche é geralmente combinada com vacinas contra difteria e tétano como DTaP para crianças com menos de 7 anos e Tdap para adolescentes e adultos. A imunidade da vacina tende a diminuir cinco a dez anos após a administração da última dose.


SINTOMAS DA COQUELUCHE

A doença começa cerca de uma ou duas semanas após a exposição. Ela perdura por cerca de seis a dez semanas, evoluindo em três etapas:

  • Sintomas leves semelhantes aos do resfriado
  • Intensos ataques de tosse
  • Recuperação gradual

Os sintomas semelhantes aos do resfriado incluem espirros, corrimento nasal, perda de apetite, apatia, tosse seca à noite e uma sensação geral de indisposição (mal-estar). As pessoas podem ficar roucas, mas raramente têm febre.

Os ataques de tosse surgem depois de dez ou quatorze dias. Esses ataques consistem em cinco ou mais tosses consecutivas forçadas seguidas pelo guincho (uma inspiração prolongada, de tom agudo e profunda). Após um ataque, a respiração fica normal, mas outro ataque de tosse se segue logo depois. A tosse com frequência produz grandes quantidades de muco espesso (em geral engolido pelos bebês e crianças ou visto como grandes bolhas no nariz). Em crianças menores, o vômito com frequência segue um longo ataque de tosse. Nos bebês, ataques de sufocação e pausas na respiração (apneia), que possivelmente fazem a pele ficar azul, podem ser mais comuns do que guinchos.

Cerca de um quarto das crianças desenvolve pneumonia, o que resulta em dificuldade para respirar. Infecções de ouvido (otite média) também se desenvolvem com frequência. Em casos raros, a coqueluche afeta o cérebro dos bebês. Sangramento, inchaço ou inflamação do cérebro podem causar convulsões, confusão, danos cerebrais e incapacidade intelectual. As convulsões são comuns entre bebês mas raras em crianças mais velhas.

Após várias semanas, as crises de tosse diminuem aos poucos, mas por muitas semanas ou até meses as crianças apresentam uma tosse duradoura e persistente.

A maioria das crianças com coqueluche se recupera completamente, ainda que de maneira lenta. Cerca de 1 a 2% das crianças abaixo de 1 ano de idade morrem.


TRATAMENTO

Bebês seriamente enfermos são geralmente hospitalizados porque sua respiração pode se tornar tão difícil que eles precisam de ventilação mecânica através de um tubo colocado na traqueia. Em alguns pode ser necessário fazer a sucção do muco de sua garganta. Outros podem precisar de oxigênio extra e líquidos administrados por via intravenosa. Bebês seriamente enfermos são geralmente mantidos em isolamento (para evitar que outras pessoas sejam expostas a gotículas infectadas no ar – chamado isolamento respiratório) até que os antibióticos tenham sido administrados por cinco dias. Uma vez que qualquer distúrbio pode desencadear um ataque de tosse, esses bebês são mantidos em um quarto escurecido, tranquilo, e perturbados o mínimo possível.

Crianças mais velhas com uma forma leve da doença são tratadas com antibióticos em casa. As crianças tratadas em casa devem ser isoladas durante pelo menos quatro semanas depois que os sintomas começaram até que eles cessem. Medicamentos contra a tosse são de valor questionável e em geral não são usados.

O antibiótico eritromicina ou azitromicina, tomado por via oral, costuma ser usado para erradicar a bactéria causadora da coqueluche. Antibióticos também são usados para tratar infecções que acompanham a coqueluche, como pneumonia e infecção do ouvido.

 



REFERÊNCIAS:

– FioCruz – Bio-Manguinhos/Fiocruz [Coqueluche: Sintomas, transmissão e prevenção]. Disponível em: https://www.bio.fiocruz.br/index.php/coqueluche-sintomas-transmissao-e-prevencao

– Ministério da Saúde, Portal MS [Coqueluche]. Disponível em: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/coqueluche

– MSD Manuals – Versão Saúde para a Família [Coqueluche]. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/infec%C3%A7%C3%B5es/infec%C3%A7%C3%B5es-bacterianas/coqueluche

 

 

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