COMO POSSO SER FARMACÊUTICO EM PORTUGAL? ALGUMAS INFORMAÇÕES

Boa parte da população brasileira anda insatisfeita com a insegurança, corrupção, inflação, falta de infraestrutura pública e trabalhista e a má gestão política e social que o Brasil vive.  Esse fator reflete muito sobre as mais diversas classes sociais e de trabalho, fazendo com que muitos brasileiros pensem em buscar uma vida melhor fora do Brasil.

Para muitos Brasileiros, o primeiro país de escolha, pode ser Portugal. Este por ser a nossa pátria mãe, por ter como idioma o Português, por estar na Europa e por ter uma realidade social bem diferente da vivida no Brasil.

Porém caro leitor, saiba que emigrar de país tem seu preço e suas dificuldades. Você deve estar bem ciente das suas ações antes de embarcar nessa aventura que é tentar a vida fora do Brasil.

Após alguns pedidos resolvi escrever novamente sobre a minha história aqui, colocando da forma mais simples e organizada que consigo escrever no momento, quais os passos segui para poder sair do Brasil, onde vivia e trabalhava como farmacêutico e vir para Portugal.


Primeiros Passos:

Ao pensar em vir trabalhar ou estudar como farmacêuticos em Portugal é preciso primeiro ter em mãos:

  • – Diploma do Curso de Farmácia reconhecido pelo MEC.
  • – Passaporte Brasileiro.
  • – Conhecimento no mínimo intermediário de outra língua estrangeira (preferência por Inglês e Francês).

Uma observação muito importante para quem cogitar a ideia de ser farmacêutico em Portugal é que:

  • – Portugal é um país muito mais burocrático que o Brasil. Então tenha paciência.
  • – Esteja aberto a aprender sobre a história de Portugal, os costumes e hábitos.
  • – Você terá que aprender um novo Português.
  • – Aqui não é o Brasil, por isso muitos serviços e direitos que julgamos não importantes ou insuficientes no Brasil, sequer existem aqui. Saiba respeitar e entender as diferenças.

O farmacêutico que deseja vir a Portugal seja para estudar ou trabalhar, precisa primeiro fazer a revalidação do diploma. Este ato consiste em solicitar o pedido de equivalência de diploma, junto a uma universidade Portuguesa.

Ao contrario do que muitos pensam, não é via Itamaraty no Brasil, não é pela embaixada Português, MEC  Brasileiro ou Ministério da Educação Portuguesa, nem pelo Conselho Federal de Farmácia do Brasil ou pela Ordem dos Farmacêuticos em Portugal. O Farmacêutico brasileiro deve simplesmente entrar em contato com uma universidade Portuguesa e solicitar o formulário de Equivalência de Diploma/ Reconhecimento de Diploma.

Isso porquê:

– Antes de ter direito a ser Farmacêutico em Portugal, você deve ter diploma equivalente aos emitidos em Portugal. Quem faz isso são as universidades e elas seguem uma norma que é determinada segundo os parâmetros europeus de qualidade para educação e critérios do ministério português da educação.

– As equivalências seguem duas Leis, que são:

Equivalência/Reconhecimento de Habilitações Estrangeiras de Nível Superior: Descreto-Lei nº 283/83, de 21 junho de 1983

        Impressos para Requerimento de Equivalência/Reconhecimento:                              Portaria nº 1071/83, de 29 de dezembro de 1983

Após você receber os passos que a universidade da sua escolha lhe informar, você deve preparar seus documentos, registrar tudo em cartório, obter o reconhecimento do Itamaraty em Brasília para todos os papéis, pagar as taxas (500,00 euros é o preço para análise da documentação) e aguardar a resposta.


Alguns avisos importantes:

– Em Portugal todo o ensino é pago, seja ele publico ou privado. Então mesmo que você venha para uma universidade pública para estudar 1,2,3… Semestres para se tornar equivalente aos farmacêuticos Portugueses, você terá que pagar por isso.

– Seu pedido pode tanto ser feito em universidade publica ou particular. Ambos terão o mesmo valor perante a Ordem dos Farmacêuticos de Portugal.

– Existem bolsas de estudo e incentivo de algumas universidades, são poucas e você deverá correr atrás de uma sozinho. Os portugueses valorizam quem é capaz de se desenvolver e se desenrolar por conta própria.

– Os valores a serem pagos são muito mais caro para Brasileiros, que portugueses.  Algumas universidades podem dar algumas bolsas, por isso fique atento e saiba procurar. Pessoas que possam se naturalizar portuguesas, terão benefícios.

– São raras as situações de equivalência direta. Mesmo pessoas que já possuem Mestrados e doutorados, normalmente têm que voltar à universidade.

– O curso de graduação (chamado de Licenciatura em Portugal) acompanha um mestrado integrado (processo de Bolonha) ou um mestrado a sua escolha. Para ser farmacêutico em Portugal, você deve ser equivalente a licenciatura deles (3 anos) e mestrado (2 anos) formando 5 anos para ser reconhecido como profissional farmacêutico.

– O mestrado pode ser o integrado com a licenciatura (este de dá a oportunidade de ser farmacêutico de farmácia, farmacêutico comunitário) ou você pode optar por ser Bioquímico, magistral, vigilância sanitária, indústria, etc.

Após receber sua resposta da solicitação de equivalência, cabe ao candidato aceitar ou solicitar novamente uma revisão. Há também a possibilidade de pedir a equivalência em outra universidade, porém as taxas serão cobradas novamente.

Algumas universidades em Portugal, não chamam o processo de Reconhecimento de Diploma e sim de Equivalência de Diploma, uma vez que são raras a exceções de reconhecimento direto, onde o brasileiro será equiparado ao farmacêutico português de forma direta.  Caso como o da Universidade de Lisboa – UL.

Por isso não se assuste o processo é o mesmo.

Após aceitar seu processo, você deverá se matricular em universidade portuguesa ou para quem receber título de diploma reconhedico, entrar em contato com a Ordem dos Farmacêuticos em Portugal,  para submeter os seus documentos.

E por fim, entrar em contato com a Embaixada de Portugal para obtenção de um visto, seja de estudo ou de residência.


Tenho também um relato de caso, feito em nosso site parceiro, veja mais informações sobre o assunto em:

“Farmacêutico no Brasil e hoje estudante em Portugal”: A realidade de quem vai estudar em Portugal



Boa sorte a todos:

Vinícius Lôbo

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