CARGA VIRAL INDETECTÁVEL PARA HIV+: O QUE POSSO OU NÃO POSSO FAZER?

Falando em HIV, sabemos que ter o HIV não é a mesma coisa que ter Aids. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas podem transmitir o vírus, quando não tomam as devidas medidas de prevenção necessárias.

Isso porque ao ser portador do Vírus da Imunodeficiência Adquirida –  HIV, o vírus estará presente entre suas células do sangue e a quantidade dele é determinada pela carga viral do portador.

A carga viral representa a rapidez com que o HIV se está reproduzindo. Quando as pessoas são infectadas, a carga viral aumenta rapidamente E àquelas pessoas que não sabem ou ainda não forma tratadas, são capazes de transmitir esse vírus a terceiros.

Leia mais sobre carga viral em:  HIV: CARGA VIRAL

Para as pessoas que iniciam o tratamento e convivem com o vírus HIV seu status pode mudar para carga viral indetectável, mas o que isso significa?

Ter carga viral indetectável significa que o tratamento antirretroviral está sendo bem sucedido e a pessoa possui cópias virais do HIV circulantes no sangue tão baixas que não são detectáveis pelos exames regulamentados pelo Organização Mundial da Saúde – OMS.

Durante um tratamento bem-sucedido, a carga viral diminui para níveis muito baixos ou indetectáveis (menos de cerca de 20 a 40 cópias por microlitro de sangue). Porém, o HIV inativo (latente) ainda está presente nas células e, se o tratamento for interrompido, o HIV começa a se replicar e a carga viral aumenta.

Atingir a carga viral indetectável é um caminho que depende de vários aspectos. A pessoa que vive com HIV deve seguir o tratamento com todos os cuidados necessários, fazendo o uso correto dos medicamentos antirretrovirais, deve fazer exames e consultas constantes e ficar atento a qualquer mudança que possa acontecer, tais como efeitos colaterais da medicação e mudanças no corpo que podem indicar que o tratamento perdeu eficiência.

Ter a carga viral indetectável não significa dizer que o paciente que outrora infectado pelo HIV se encontra livre do vírus, apenas diz que a quantidade do vírus presente no sangue é tão baixa a ponto de não ser detectável pelos métodos sorológicos atuais e que ela pode voltar a ter práticas que são desaconselhadas para os recém infectados pelo vírus.

Assim, quando uma pessoa vivendo com HIV alcança a carga viral indetectável, o vírus deixa de ser transmitido em relações sexuais.

Três grandes estudos sobre a transmissão sexual do HIV entre milhares de casais, dos quais um parceiro vive com o HIV e o outro não, foram realizados entre 2007 e 2016. Nesses estudos, não houve um único caso de transmissão sexual do HIV. A Nota Explicativa adverte, no entanto, que uma pessoa só pode saber se tem sua carga viral  suprimida ou indetectável fazendo um teste de carga viral.

Com isso a pessoa reconhecida pelo médico infectologista como HIV de carga viral indetectável poderá voltar a:

  • – Amamentar os filhos
  • – Doar leite materno
  • – Ser doador de óvulos e espermatozoides
  • – Ter filhos sem carga viral positiva
  • – Ter relações sexuais desprotegidas
  • – Compartilhar utensílios perfuro cortantes, tais como alicates e outros objetos que contenham resíduos de sangue.

Por outro lado a comunidade científica ainda diverge quando a questão é a doação de sangue e de órgãos.

Para muitos médicos ainda não é confiável a não transmissibilidade do HIV por uma pessoa com Carga Viral Indetectável para outra saudável, por isso muitos hemocentros ainda recusam o sangue de quem possuem carga viral inferior a 40 cópias por microlitro de sangue.

No caso da doação de órgãos, somente este ano  de 2019, em março tivemos a primeira doadora de órgão catalogada, mesmo sendo HIV positivo. Antes dessa prática, a doação de um órgão HIV positivo para outra pessoa só ocorria após a morte do doador e quando o receptor também era HIV positivo.

Apesar de todas as polêmicas a cerca do caso, é sabido e determinado pela OMS que o HIV positivo com carga viral indetectável não transmite HIV por meio de relações sexuais, leite materno, sangue em contato com pele ou de pais para filho na concepção e nascimento.

Por outro lado o parceiro que for sorodescordante deve ter a certeza que seu parceiro HIV positivo está mesmo seguindo todo o seu tratamento e que ele é mesmo, antes de qualquer relação desprotegida e contato mais intimo com outras forma de material genético.

A falsificação de laudos médicos e exames, bem como falsa alegação de status ao parceiro, para obter relação sexual desprotegida pondo em risco a saúde do parceiro é crime passível de punição por meio de detenção e pagamento de indenização ao prejudicado.

Em caso de dúvidas, converse com o seu médico ou farmacêutico mais próximo.

 



REFERÊNCIAS:

-Departamento de doenças de condições crônicas e infecções sexualmente transmissíveis – Ministério da Saúde [O que é HIV?]. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/o-que-e-hiv

– UNAIDS – Saúde Pública e Supressão do HIV [O que significa estar com a carga viral indetectável?]. Disponível em: https://unaids.org.br/2017/07/indetectavel-saude-publica-e-supressao-viral-do-hiv/

– UNAIDS – INDETECTÁVEL = INTRASMISSÍVEL [Indetectável = Intransmissível]. Disponível em: https://unaids.org.br/2018/07/indetectavel-intransmissivel/

– Ministério da Saúde – Blog da Saúde [O que significa estar indetectável?]. Disponível em: http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/53661-o-que-e-ser-indetectavel

– MSD Manuals, Versão Saúde para a Família [Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV)]. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/infec%C3%A7%C3%B5es/infec%C3%A7%C3%A3o-pelo-v%C3%ADrus-da-imunodefici%C3%AAncia-humana-hiv/infec%C3%A7%C3%A3o-pelo-v%C3%ADrus-da-imunodefici%C3%AAncia-humana-hiv

 

 

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