BEBÊS PREMATUROS – DICAS IMPORTANTES

Existe um tempo ideal para a gravidez, que são os 9 meses ou mais corretamente 40 semanas, podendo considerar-se normal o bebê nascer 3 semanas antes ou uma depois das 40 semanas.

A partir das 24 semanas de gestação o feto é considerado viável, pelo que a partir dessa altura poderá nascer, ainda que o seu prognóstico seja reservado. Se o bebê nascer entre as 24 e as 36 semanas mais 6 dias é considerado um bebê prematuro ou pré-termo, isto é, que nasceu antes do tempo considerado espectável.

Se o bebê nasce entre as 37 e as 42 semanas denomina-se de recém-nascido de termo, isto é, que atingiu o tempo considerado normal e suficiente para estar apto a sobreviver sem ajuda para respirar ou comer. Claro que o fato de um bebê nascer prematuro ou de termo não quer imperativamente dizer que este necessite ou não de ir para a neonatologia (serviço com incubadoras, especializado em recém-nascidos com dificuldades de adaptação ao meio fora do útero materno), isto tudo depende da maneira como o bebé responde à vida fora da barriga da mãe. 

Diversos estudos, de áreas diferentes, mostram que é mesmo preciso direcionar um cuidado mais atento a essas crianças. Uma pesquisa recente da Washington University School of Medicine, para dar um exemplo, sugere que as conexões cerebrais nos bebês prematuros podem ser enfraquecidas, o que aumenta o risco de problemas neurológicos e psiquiátricos.

Tudo depende do peso e da idade gestacional ao nascer – uma criança que veio ao mundo na 28ª semana é bem diferente de uma que nasceu na 36ª, embora ambas sejam prematuras.

Veja algumas dicas importantes sobre bebês prematuros.


– O que faz um bebê nascer prematuramente?

Gravidez de gêmeos e problemas como pressão alta, encurtamento do colo e malformação fetal aumentam o risco de prematuridade. E, às vezes, é necessário induzir o parto por problemas de saúde da mãe ou da criança. No entanto, na maioria dos casos, isso acontece de forma espontânea: mesmo com uma gestação tranquila, a bolsa se rompe sem que a mulher perceba ou ela entra em trabalho de parto antes da hora. Aí, claro, os pais são pegos totalmente desprevenidos e se sentem inseguros.


– Hoje, a chance de um bebê prematuro sobreviver é maior?

Sim. Nas últimas duas décadas, graças à tecnologia e aos novos medicamentos, muito mais prematuros estão terminando seu desenvolvimento fora do útero com sucesso.

 


– Todo prematuro deve passar pela UTI neonatal?

Não necessariamente. Isso varia de acordo com a idade gestacional, o peso e as complicações ao nascer – bebês com menos de 30 semanas ou peso inferior a dois quilos, por exemplo, sempre serão internados. O pediatra é que vai indicar a necessidade, mas, em geral, eles ficam na UTI para ganhar peso, desenvolver o sistema pulmonar e aprender a sugar.

 


– Enquanto internado, ele pode receber visitas?

Sim, mas vale o bom senso. Como a maioria dos anticorpos é passada da mãe para o bebê no último trimestre de gestação, o prematuro nasce menos protegido. Oriente os amigos e familiares para higienizarem bem as mãos, não beijar o bebê no rosto e esperar para conhecê-lo caso estejam doentes. Também é bom não reunir muita gente, pois a maior parte das doenças é transmitida pelo contato.

 


– Quais cuidados devo ter em casa após a alta?

Quando os médicos liberam o bebê, ele já está mais amadurecido e pronto para uma vida normal – a menos que existam sequelas graves. Em casa, casos mais complicados podem exigir atenção semi-intensiva com home care. É importante saber que o prematuro precisa descansar. Ele permaneceu em um local com barulho e luzes ligadas 24 horas, além de um berço ou incubadora com ruído de motor. Por isso, o silêncio é fundamental. Como há mais dificuldade de manter a temperatura corporal, vale agasalhar bem a criança. Certifique-se também de que ela esteja com os exames e as vacinas em dia de acordo como tempo que permaneceu na UTI. Talvez seja necessário voltar algumas vezes mais ao pediatra para acompanhar o peso. No mais, as condutas são semelhantes às de um bebê a termo: ele já pode dormir no berço, sem almofadas, travesseiros ou mantas, o quarto e a casa devem ser bem ventilados e livres de umidade e o melhor é dar o banho em um local sem correntes de ar, com sabonete neutro.

 


– Com quanto tempo meu filho pode fazer passeios fora de casa?

Cada prematuro receberá recomendações específicas. O mais comum, no entanto, é que, após ter atingido 2,5 quilos, ele possa passear ao ar livre, se o clima permitir. Antes das primeiras vacinas, evite saídas para ambientes aglomerados e fechados, como shoppings, supermercados ou festas de aniversário em buffets.

 


– O calendário de vacinação é o mesmo?

A Sociedade Brasileira de Imunizações e a Sociedade Brasileira de Pediatria  recomendam um calendário com algumas adaptações para bebês nascidos antes de 37 semanas, já que estão mais suscetíveis a infecções. O tipo, as datas e o número de doses dependem basicamente do peso ao nascimento e de quão prematuro ele for. Os pais devem ficar atentos às recomendações do pediatra e seguir o calendário à risca. Familiares próximos, funcionários de casa e irmãos também precisam manter as vacinas em dia, para evitar transmissão de doenças contagiosas. Vale lembrar que, na UTI, o bebê não pode receber vacina de vírus vivo, como a rotavírus e a pólio oral. A BCG também deverá ser aplicada quando ele tiver no mínimo dois quilos.

 


Precisa ter acompanhamento com médicos específicos?

Quanto menor a idade gestacional e o peso, e quanto maior o tempo de permanência na UTI neonatal, provavelmente mais profissionais estarão envolvidos no cuidado pós-alta. Normalmente, essa equipe multidisciplinar é composta por fisioterapeuta, neurologista, oftalmologista, fonoaudiólogo, cardiologista e pneumologista. Mas é o pediatra do bebê que vai orientar sobre a necessidade de acompanhamento com esses especialistas.

Outro fator importante é que para o desenvolvimento normal do bebê prematuro é necessário se iniciar o processo de estimulação precoce do bebê. Esse processo funciona como uma escola antecipada que em o bebê prematuro vai junto dos pais e irmãos, quando o caso, para estimular o bebê na interação social e avaliação da evolução cognitiva, sensorial e adaptabilidade, capacidade de aprendizado e observação do desenvolvimento de alguém sequela decorrente do nascimento prematuro. Esta também terá indicação do pediatra, quando necessário.

 


– Como fica a amamentação?

Na UTI, o bebê muito pequeno não é alimentado via oral. Usa-se sonda pela boca ou nariz e, dependendo de suas condições, pode demorar para que ele aprenda a sugar – esse reflexo costuma se firmar com 34 semanas. É essencial que a mulher seja orientada a tirar o leite para alimentar seu filho, mesmo enquanto ele está com a sonda. À medida que o bebê cresce, pode começar a tentar sugar no seio. Não é fácil, mas extremamente importante. Não se esqueça que eles costumam ser mais sonolentos e precisam de estímulo para acordar e mamar. E não desista!

 


– Por que há tanta preocupação com peso?

Ele é um indicador de que a alimentação está adequada e o crescimento permanece dentro do esperado. Para quem nasceu antes da hora, engordar pode ser desafiador. Além de o sistema gastrointestinal ter menor capacidade de absorção e ser mais vulnerável à ação de agentes infecciosos, alguns prematuros não conseguem sugar. Isso atrapalha o aleitamento e, consequentemente, o ganho de peso. Mas outros fatores também podem ser avaliados, como estatura, qualidade do sono e desenvolvimento motor.

 


– Como se calcula a idade de um prematuro?

A idade contada a partir da data de nascimento, a cronológica, é a usada para o calendário vacinal. Já a corrigida, que é calculada descontando a quantidade de semanas que faltavam para completar 40, é a que vale para a avaliação do peso, do desenvolvimento neuropsicomotor e do perímetro cefálico (isso até mais ou menos 2 anos, de acordo com o caso).

 


– Se ele ficar doente ou pegar um resfriado, é mais preocupante do que com bebês nascidos a termo?

Somente nos primeiros meses, quando ainda está em fase de recuperação nutricional. E, mais uma vez, isso vai depender das condições de nascimento e de como passou o período de internamento na UTI.

 


REFERÊNCIAS:

– Revista Vou Nascer [O que é o bebê prematuro?]. Disponível em: http://vounascer.com/artigos/o-meu-bebe/o-que-e-um-bebe-prematuro/

– Revista Abril Bebê [19 questões sobre bebês prematuros]. Disponível em: https://bebe.abril.com.br/saude/19-questoes-sobre-bebes-prematuros/

– Revista Crescer [Prematuros: 16 respostas sobre os cuidados necessários com o bebê]. Disponível em: http://revistacrescer.globo.com/Bebes/Prematuros/noticia/2016/04/prematuros-16-respostas-sobre-os-cuidados-necessarios-com-o-bebe.html

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *